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Início › Curiosidades › As 5 regiões do Brasil: quem definiu a divisão e com quais critérios
Curiosidades

As 5 regiões do Brasil: quem definiu a divisão e com quais critérios

Fernando Nunes MoreiraEscrito por Fernando Nunes Moreira20/03/2026Atualizado:22/09/2026Tempo de Leitura 7 Mins
Porque o Brasil foi dividido em 5 regiões? Descubra os motivos!
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Se você quer saber porque o Brasil foi dividido em 5 regiões, a resposta curta é esta: o IBGE agrupou os estados em Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste para facilitar o estudo, o planejamento e a comparação de dados entre áreas que compartilham características naturais e socioeconômicas parecidas. A divisão atual está em vigor desde 1970 e não cria governo regional, nem fronteiras políticas: é uma ferramenta de organização.

Neste texto você vai entender quem propôs essa divisão, quais critérios foram usados, como ela mudou ao longo do século XX, o que cada uma das 5 regiões do Brasil reúne e por que ela continua sendo usada no censo, nas políticas públicas e na escola.

Quem definiu as 5 regiões do Brasil

A divisão regional é responsabilidade do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, criado na década de 1930. Antes dele, existiam propostas de regionalização feitas por geógrafos e por órgãos do governo, mas sem padrão único. Cada ministério agrupava os estados de um jeito, o que atrapalhava a comparação de números.

A primeira divisão oficial do IBGE data de 1942 e teve forte participação do geógrafo Fábio de Macedo Soares Guimarães. Ela já trazia cinco grandes áreas, mas com composição diferente da atual. O desenho que conhecemos hoje foi fixado em 1970, depois de mudanças na economia, na ocupação do território e na criação de novos estados.

Se quiser ver uma explicação em vídeo, este resumo ajuda: Como foram definidas as regiões do Brasil?. Há também uma versão curta em QUEM DEFINIU as REGIÕES do BRASIL?.

Os critérios usados pelo IBGE

A regionalização do IBGE combina dois grupos de fatores. O primeiro é natural: relevo, clima, vegetação e hidrografia. O segundo é humano: economia predominante, densidade populacional, história de ocupação e infraestrutura. A ideia é reunir estados que se parecem entre si e se diferenciam dos vizinhos de outra região.

Critérios naturais

  • Relevo: planícies amazônicas, planaltos do Centro-Sul, depressões e chapadas.
  • Clima: equatorial no Norte, semiárido no interior do Nordeste, tropical no centro do país, subtropical no Sul.
  • Vegetação: Floresta Amazônica, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal.

Critérios socioeconômicos

  • Atividade econômica dominante em cada área na época da divisão.
  • Grau de urbanização e industrialização.
  • Processo histórico de povoamento, do litoral para o interior.

Uma regra importante: o IBGE nunca corta um estado ao meio. A unidade mínima da divisão regional é a unidade da federação. Por isso, um estado com paisagens muito variadas, como Minas Gerais ou Bahia, fica inteiro dentro de uma única região, mesmo que parte do seu território lembre a região vizinha. O material do IBGE Educa – Divisão Territorial explica essa lógica de forma simples.

Como a divisão regional mudou com o tempo

A divisão de 1942 já tinha cinco regiões, mas com nomes e limites diferentes. Existia, por exemplo, uma região Leste que reunia Bahia, Sergipe, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Ao longo das décadas, o crescimento de São Paulo, a construção de Brasília e o avanço agrícola sobre o Centro-Oeste tornaram aquele desenho pouco útil.

Em 1970 o IBGE reorganizou o mapa: a região Leste foi extinta, Bahia e Sergipe passaram ao Nordeste, e Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo formaram o Sudeste. Novos estados criados depois, como Mato Grosso do Sul (1979) e Tocantins (1988), foram encaixados nas regiões vizinhas sem alterar a estrutura de cinco blocos.

Outras propostas surgiram e convivem com a oficial. A mais conhecida é a dos complexos regionais, do geógrafo Pedro Pinchas Geiger, que divide o país em três áreas (Amazônia, Nordeste e Centro-Sul) com base na economia e não nos limites estaduais. Ela é usada em análises geoeconômicas, mas não substitui a divisão do IBGE. Uma boa comparação entre os modelos está em Beduka – Divisão Regional e Regionalização do Brasil.

As 5 regiões do Brasil, uma a uma

Hoje as 27 unidades da federação (26 estados e o Distrito Federal) se distribuem assim:

RegiãoUnidades da federaçãoTraços marcantes
NorteAC, AM, AP, PA, RO, RR, TOMaior área, menor densidade populacional, Floresta Amazônica
NordesteAL, BA, CE, MA, PB, PE, PI, RN, SEMaior número de estados, litoral extenso, semiárido no interior
SudesteES, MG, RJ, SPMaior população e maior peso econômico e industrial
SulPR, RS, SCMenor área, clima subtropical, forte imigração europeia
Centro-OesteDF, GO, MS, MTCerrado, Pantanal, agronegócio e a capital federal

Norte

Cobre quase metade do território nacional. A floresta, os rios e a distância entre cidades definem o modo de vida. A economia gira em torno da Zona Franca de Manaus, da mineração e do extrativismo.

Nordeste

Foi a primeira área colonizada pelos portugueses. Reúne o litoral açucareiro, o agreste e o sertão semiárido. Tem forte identidade cultural e cidades históricas.

Sudeste

Concentra as maiores metrópoles e o parque industrial mais denso do país. É também a região que mais recebe migrantes das outras quatro.

Sul

Marcada pelo clima mais frio, pela agricultura familiar e pela colonização alemã, italiana e polonesa. Tem indicadores sociais entre os melhores do Brasil.

Centro-Oeste

Era pouco ocupada até a construção de Brasília, em 1960. Desde então virou fronteira agrícola e polo de produção de grãos e carne.

Para que serve a divisão na prática

A regionalização não é só um assunto de prova. Ela aparece em situações concretas:

  1. Estatística: o censo, a PNAD e os índices de preços são divulgados por região, o que permite comparar renda, escolaridade e emprego.
  2. Políticas públicas: programas federais definem metas e recursos por região, como fundos de desenvolvimento do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
  3. Planejamento privado: empresas organizam logística, vendas e preços por bloco regional.
  4. Ensino: o currículo de geografia usa as cinco regiões para apresentar o país aos alunos.
  5. Cultura e esporte: competições, feiras e festivais costumam ter etapas regionais.

O que a divisão regional não faz

Há uma confusão comum: achar que as regiões têm governo, orçamento próprio ou representação política. Não têm. O Brasil é uma federação de estados e municípios; as regiões são apenas agrupamentos estatísticos. Não existe governador do Nordeste nem assembleia do Sul.

Outro ponto: a divisão em cinco não é a única do IBGE. Dentro de cada estado, o instituto usa recortes menores. Até 2017 eram as mesorregiões e microrregiões; desde então valem as regiões geográficas intermediárias e imediatas, que agrupam municípios pelas relações de comércio, serviços e deslocamento diário. Assim, a regionalização funciona em camadas, da mais ampla (as cinco regiões) à mais local.

Quem gosta de história do território pode gostar também de ler sobre qual foi o maior império da história e sobre a lenda do Saci-Pererê, um personagem que atravessa todas as regiões brasileiras.

Perguntas frequentes

Quando o Brasil foi dividido em 5 regiões?

A primeira divisão oficial em cinco regiões é de 1942. O formato atual, com Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste, foi definido pelo IBGE em 1970 e recebeu apenas ajustes pontuais desde então, como a inclusão de estados criados depois.

Quem criou a divisão regional do Brasil?

O IBGE, com base em estudos de geógrafos do próprio instituto. O nome mais associado à primeira versão é Fábio de Macedo Soares Guimarães.

Qual é a maior e a menor das 5 regiões?

Em área, a maior é o Norte e a menor é o Sul. Em população, a maior é o Sudeste e a menor é o Centro-Oeste.

Um estado pode mudar de região?

Pode, mas só por decisão do IBGE, após revisão dos critérios. Isso é raro. As últimas alterações relevantes ocorreram na reforma de 1970 e na acomodação de novos estados nas décadas de 1970 e 1980.

Por que Minas Gerais fica no Sudeste e não no Nordeste ou Centro-Oeste?

Porque a divisão respeita o limite do estado inteiro e considera o conjunto dos critérios. Apesar de o norte de Minas ter clima semiárido, o estado como um todo tem economia, população e história muito ligadas a São Paulo e Rio de Janeiro.

As regiões do IBGE são as mesmas do Geiger?

Não. Geiger propôs três complexos regionais (Amazônia, Nordeste e Centro-Sul), que ignoram os limites estaduais e seguem a economia. A divisão do IBGE tem cinco regiões e respeita as fronteiras dos estados.

O que levar dessa leitura

Entender porque o Brasil foi dividido em 5 regiões é entender que o mapa serve às pessoas, e não o contrário: o IBGE agrupou estados parecidos para medir, comparar e planejar melhor um país de dimensões continentais. A divisão é técnica, muda pouco e não cria poder político, mas está presente em quase toda estatística e política pública que você lê no noticiário.

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